Progera

PROGERA

Programa de Extensão Rural Agroecológica

Desde o seu início em 2004, o Programa de Extensão Rural Agroecológica (PROGERA) tem sido um agente transformador no campo, promovendo o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da agricultura familiar. Até 2018, o programa atendeu gratuitamente mais de 1.000 famílias agricultoras, organizou eventos, produziu materiais informativos e impulsionou diversas ações educativas e comunitárias.

Em 2022, o PROGERA iniciou uma nova fase, com objetivos ampliados e estratégias renovadas. A seguir, apresentamos os números e conquistas que marcam esse novo ciclo de impacto e compromisso com o campo.

Objetivo

O PROGERA tem como principal objetivo desenvolver assessoria técnica para a produção agroecológica destinada ao autoconsumo e à geração de renda de agricultores familiares de modo a ampliar as condições para a transição agroecológica, o aumento de renda monetária e não monetária de seus núcleos familiares, e a qualificação e ampliação das unidades de referência de sistemas agroflorestais. 

O foco é a promoção da  transição agroecológica e o desenvolvimento de sistemas de produção agroflorestais em Unidades de Referência, como forma de melhorar a segurança alimentar e a geração de renda das populações rurais.

Ilustração: Patrícia Yamamoto

O que são as Unidades de Referência de Sistemas Agroflorestais (UR SAFs)?

São espaços pedagógicos para demonstração e disseminação de práticas agroflorestais. Elas funcionam como locais de aprendizado e trabalho coletivo, onde se aplicam consórcios de espécies vegetais e/ou animais para promover a diversificação da produção, a segurança alimentar, a geração de renda e a sustentabilidade socioambiental.

COMO

– Por meio da construção de um processo de formação e assessoria Técnica em Agroecologia e em Sistemas Agroflorestais (SAFs);

– Realização de diagnóstico rápido participativo (DRP) envolvendo a comunidade na identificação de problemas, necessidades e potencialidades de um local de forma rápida e colaborativa;

– No desenvolvimento e fortalecimento das associações e cooperativas para a superação dos principais entraves ao desenvolvimento rural sustentável;

– Pelo engajamento comunitário e fortalecimento de coletivos, com foco na formação e empoderamento de mulheres e jovens;

– E, por fim,  pelo fortalecimento do trabalho em rede junto à organizações locais, parceiros comerciais, da sociedade civil, governo e academia.

ATIVIDADES & RESULTADOS

Até este ano, 2025, temos efetivamente 180 famílias cadastradas, beneficiárias diretas do projeto, em uma área que abrange os municípios de Iaras, Borebi, Agudos e Paulistânia, interior de São Paulo, nos Projetos de Assentamento Zumbi dos Palmares, Rosa Luxemburgo, União de todos, Maracy I, Maracy II – Vau do Jaboque e Loiva Lurdes.

PLANOS DE COMERCIALIZAÇÃO

Os planos de comercialização das Organizações da Sociedade Civil – OSCs, surgiram como resposta aos desafios estruturais e produtivos enfrentados pelas famílias camponesas, tão bem evidenciados a partir do Diagnóstico Participativo realizado pelo Projeto Nós do Campo, em parceria com a empresa Bracell. Ao todo, foram elaborados nove planos destinados às associações/cooperativas, com propostas para seu fortalecimento institucional, além da ampliação da participação em políticas públicas (como os PAA, PNAE etc.), delineando as possibilidades de projetos de fomento produtivo, de aquisição de maquinário e investimentos em infraestruturas produtivas, de armazenamento e de transformação dos produtos, bem como de logística. 

Os planos, especialmente, tecem uma série de recomendações às OSCs quanto a diversificação produtiva, buscando por certificações agroecológicas, criação de identidades visuais próprias, uso de redes sociais e e-commerce, planejamento da produção conforme demanda, controle financeiro, fomento ao acesso aos créditos, capacitação em gestão e marketing, práticas sustentáveis e fortalecimento de redes cooperativas. São importantes instrumentos de fortalecimento da agricultura familiar, ampliando as condições para aumento da renda, melhoria da soberania alimentar e da sustentabilidade ambiental no território, reafirmando o protagonismo camponês e, em especial, das mulheres agricultoras que estão à frente das OSCs na construção de mercados mais inclusivos, justos e solidários.

ENCONTRO REGIONAL DE AGROECOLOGIA

Realizado em 28 de junho de 2025, na Escola Zumbi dos Palmares em Iaras – SP, o Encontro reuniu 120 agricultores(as) e equipes do Projeto Nós do Campo, além de representantes de instituições públicas e privadas, fortalecendo a agroecologia e o protagonismo das mulheres do campo.

O encontro contemplou café da manhã agroecológico, mística conduzida pelas mulheres do curso de Educação Agroflorestal, mesa abertura composta por autoridades locais, representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDAF), CEAGESP, Bracell, prefeituras e associações de mulheres, trazendo discursos de valorização e compromissos concretos, bem como a abordagem de temas relevantes, desafios, demandas, bem como, políticas.

Durante o encontro, os participantes puderem vivenciar a troca de sementes crioulas, fortalecendo a conservação da agrobiodiversidade, e um carrossel de oficinas teórico-práticas envolvendo temas como sistemas agroflorestais, fruticultura e horticultura, bioinsumos, plantas medicinais, comercialização e produção de bioinsumos.

CURSO DE EDUCADORAS AGROFLORESTAIS

O Curso de Educadoras Agroflorestais foi uma proposta inovadora do Instituto Giramundo Mutuando que ocorreu entre 21 de maio à 8 de agosto de 2025 no âmbito do Projeto Nós do Campo, envolvendo 24 mulheres de assentamentos rurais dos municípios focos do projeto. O objetivo central foi fortalecer a formação técnica e política das participantes, articulando agroecologia, feminismo popular e economia solidária, visando protagonismo feminino nos territórios. 

A metodologia, fundamentada na pedagogia freireana, valorizou o diálogo, os saberes locais e a prática coletiva. Foram realizadas rodas de conversa, oficinas de campo, visitas técnicas, mutirões e dinâmicas participativas, integrando teoria e prática. As oficinas, que foram realizadas em cinco lotes de assentamentos, abordaram planejamento, implantação e manejo de SAFs, consórcios produtivos, comercialização solidária e justiça de gênero. Destacou-se a criação de vínculos comunitários e o fortalecimento das redes de colaboração.

Hoje, há um presente e vivo coletivo de mulheres agrofloresteiras, resultando na implantação de uma unidade demonstrativa de SAF na Escola Municipal e Estadual Zumbi dos Palmares, em Iaras-SP, contando com a participação de educadores e alunos, e, consolidando a ampliação de conhecimentos técnicos, integração entre comunidades, e a formação de uma rede de mulheres mobilizadoras. 

A experiência evidenciou a potência do protagonismo feminino na agroecologia e reafirmou a importância da formação crítica e emancipadora para a transformação socioambiental e comunitária.

ASSESSORIA ÀS OSCs

O projeto Nós do Campo, também realizou diversas ações de assessoria técnica às OSCs, com foco no fortalecimento institucional, na construção de redes de comercialização, na captação de recursos e na elaboração de projetos, no período de Setembro/2024 à Agosto/20225, diagnosticando gargalos administrativos e contábeis, e assessorando as diretorias das OSCs na busca por soluções.

Foram realizadas, ainda, oficinas, visitas técnicas, reuniões e assessorias presenciais e a distância, somando mais de 140 horas de apoio. Destacam-se a regularização documental, a elaboração de 12 projetos estratégicos e a articulações das OSCs com a CEAGESP, a CONAB, o MDA, o SEBRAE/SENAR e os CORREIOS.

Os resultados contemplam a qualificação da gestão interna, maior integração institucional, fortalecimento da participação em políticas públicas e construção de planos de comercialização ajustados às necessidades de cada OSC.

UNIDADES DE REFERÊNCIA DE SAFs – UR SAFs

Foram mantidas e melhoradas o total de 12 Unidades de Referência de Sistemas Agroflorestais, sendo 8 no Assentamento Zumbi dos Palmares (Iaras), 1 no Assentamento Loiva Lurdes (Borebi), 1 no Assentamento Rosa Luxemburgo (Agudos), 1 no Assentamento Maracy I (Agudos), 1 no Assentamento Maracy II – Vau do Jaboque (Agudos). 

Foi possível constatar importantes transformações nas unidades produtivas familiares envolvidas nas dinâmicas de assessoria agroecológica, cada UR reflete a especial conexão e trabalho que os agricultores(as) possuem em relação a própria terra, tendo suas próprias características e meios para se desenvolverem como uma referência no manejo agroecológico.

O reconhecimento destas potencialidades e diversidades únicas favorece a autonomia e protagonismo comunitário, promovendo a troca de saberes e experiências no processo produtivo, de geração de renda e segurança alimentar.

Nos links abaixo, você pode baixar os boletins informativos que contam a história de três famílias que tiveram importante ação na construção de Unidades de Referência de SAfs, nos Assentamentos Zumbi dos Palmares, Loiva Lurdes e Maracy II – Vau do Jaboque.

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