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Agricultura Familiar, Campesinato e Agroecologia

Esta coluna contou com a co-autoria de

DENISE MARTINS BLOISE[1]   

Os conceitos de agricultura familiar e campesinato estão diretamente ligados a visões de mundo sócioeconômicas e políticas, à construção de um projeto de sociedade e à concepção que se tem da relação homem – natureza.

Autores como José Graziano (1980), Sergio Gómez (2001, 2008), Flavio Sacco dos Anjos (2001), Maria José Carneiro (1999), Sérgio Schneider (2006) e Ricardo Abramovay (2007), guardadas as devidas proporções e intensidades de aproximação teórica, corroboram com as idéias de Ianni (2004) no tocante à dissolução do mundo agrário.

A noção de “Nova” Ruralidade ou “Novo” Rural, surgida em fins do século XX, começou a ser adotada há mais

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MOVIMENTOS SOCIAIS E A QUESTÃO DA SOBERANIA ALIMENTAR E ENERGÉTICA NO BRASIL

Fonte: Semana On Line Ed. 06/2012

 

INTRODUÇÃO

Neste trabalho, fazemos inicialmente algumas correlações e constatações a respeito de documentos e declarações de membros de movimentos sociais, visando sistematizar nossos próprios posicionamentos acerca da temática da soberania alimentar e energética no Brasil.. A título de conclusão, discutimos até que ponto a produção de agrocombustíveis no Brasil, por parte de produtores camponeses, pode ser considerada uma atividade que contribui para a soberania alimentar e energética dos próprios agricultores envolvidos e para a recampesinização ou descampesinização dos mesmos.

 

MOVIMENTOS SOCIAIS E A QUESTÃO DA SOBERANIA ALIMENTAR E ENERGÉTICA NO BRASIL

Organizamos este trabalho da seguinte forma: apresentamos e analisamos declarações e documentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Brasil, além da declaração final da Conferência que integrou diversos movimentos e organizações brasileiros e internacionais em torno da questão da agroenergia,em São Paulo, no final de 2008.

Em seguida, avaliamos essas manifestações dos movimentos sociais para propor rumos alternativos ao debate da questão no Brasil.

 

 

Declarações de João Pedro Stédile, dirigente nacional do MST[1].

 

Stédile afirma que os movimentos sociais da Via Campesina no Brasil avançaram “no entendimento de que seremos favoráveis à produção de energia a partir de produtos agrícolas, mas apenas no caso em que não substitua a produção de alimentos e não utilize produtos alimentícios, como o milho e a soja. Que sejam fabricados a partir de produtos que não representem uma competição com os alimentos”.

Ele também sugere que o termo “biocombustível” deve ser substituído por “agrocombustível”, para identificar a origem e embasar a regulamentação. Stédile assinala que o agronegócio pode produzir soja, cana, milho e algodão para energia, mas isso ocorre de maneira insustentável, com alta utilização de agrotóxicos e no modelo da monocultura. Para ele “esses aspectos trazem consequências perversas, já que como o petróleo está comprovado que o agronegócio é um grande contribuinte do aquecimento global”.

Stédile identifica dois modelos distintos de produção de agrocombustível:

1)      O modelo “da classe dominante, dos grandes capitalistas, que construíram uma aliança, integrada, por um lado, por empresas multinacionais e, por outro, por grandes latifundiários brasileiros”. O capital internacional utilizado, segundo Stédile, está concentrado nas mãos das transnacionais petrolíferas, grupos internacionais do setor do agronegócio e de automóveis. O MST afirma que se trata de uma variante do agronegócio que gera mais concentração da propriedade da terra e impulsiona seu crescimento, fazendo migrar as culturas alimentícias, pela atratividade de maiores lucros. Nos últimos anos, a Cargill, por exemplo, comprou a maior usina de álcoolem São Paulo, com 36 mil hectares contínuos de cana-de-açúcar.

2)      O MST defende outro modelo, “voltado para as necessidades do povo, baseado no assentamento dos camponeses no meio rural, no desenvolvimento dos policultivos e na produção prioritária de alimentos, sem uso de agrotóxicos”, afirmou Stédile. Ainda de acordo com Stédile, “cada localidade deve buscar suas próprias soluções energéticas, para não depender da importação de energia”. Além disso, “deve existir uma empresa estatal, pública, que desenvolva uma política de comércio de energia (incluída a agroenergia) de acordo com os interesses da população e não do capital”.

 

Documentos da Comissão Pastoral da Terra (CPT)[2].

 

Por outro lado, para outra organização da Via Campesina no Brasil, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), “experiências como a plantação da mamona por pequenos agricultores no Nordeste, demonstram o risco de depender de grandes empresas agrícolas, que controlam os preços, o processamento e a distribuição da produção. Os camponeses são utilizados para dar legitimidade ao agronegócio, através da distribuição de certificados de ‘combustível social’. A expansão da produção de biocombustíveis coloca em risco a soberania alimentar e pode agravar profundamente o problema da fome no mundo. Esse modelo causa impactos negativos em comunidades camponesas, ribeirinhas, indígenas e quilombolas, que têm seus territórios ameaçados pela constante expansão do capital”.

Para a CPT, “o modelo agrícola deve estar baseado na agroecologia e na diversidade da produção. É urgente resgatar e multiplicar experiências de agricultura camponesa, a partir da diversidade dos ecossistemas. Existem múltiplas tecnologias e conhecimentos tradicionais de produção, como as agroflorestas, sistemas agropastoris, integrados e duradouros. Há também tecnologias e saberes locais de captação, armazenamento, manejo e usos de água para consumo e produção, que preservam fontes naturais”.

 

Documentos da Petrobrás e Cooperbio[3]

 

 

No Brasil, a Petrobrás (empresa brasileira estatal de petróleo e derivados) está desenvolvendo, em parceria com a Cooperbio (cooperativa de produção, industrialização e comércio de combustíveis do Brasil), um pequeno projeto de produção descentralizada de álcool, integrada com a produção de alimentos, no estado do Rio Grande do Sul. Integram este projeto 330 famílias de agricultores familiares associadas à Cooperativa (as famílias possuem até dois hectares de terra cada). As matérias-primas utilizadas para a produção de etanol são a cana, a mandioca e a batata-doce. Os alimentos produzidos são leite e leguminosas (feijão e amendoim). A Cooperbio é responsável pela produção de combustível, por meio de microdestilarias, a ser adquirido pela Petrobrás Distribuidora. Os subprodutos da cana são destinados à alimentação do gado e par adubo. Adicionalmente, o Projeto prevê o plantio de setenta hectares de floresta para combustível (pinhão manso, tungue e eucalipto), consorciadas com oleaginosas”.

 

 

Declaração final do Seminário Internacional: Agrocombustíveis como um obstáculo para a Soberania alimentar e energética[4]

“Discordamos radicalmente da estratégia de promoção dos agrocombustíveis: entendemos que estes não são vetores de desenvolvimento, nem tampouco de sustentabilidade

O modelo de agricultura industrial, onde se inserem os agrocombustíveis, é intrinsicamente insustentável.

A produção de agrocombustíveis representa uma grave ameaça à produção de alimentos.

A partir dos efeitos concretos da produção de etanol no Brasil, denunciamos que:

A produção em escala industrial de agrocombustíveis, ao expandir a fronteira agrícola, soma-se à expansão do conjunto do agronegócio, cujos impactos dinâmicos e efeitos cumulativos são o principal vetor de desmatamento e destruição de ecossistemas.

No Brasil, o setor sucroalcooleiro não se sustenta sem o financiamento público.

O setor sucroalcooleiro conta com a conivência do governo quanto ao descumprimento das legislações trabalhistas e ambientais. A estratégia de difusão internacional do modelo agroenergético do governo brasileiro, reproduzirá os impactos e problemas do setor nos países da África, América Latina e Caribe.

Questionamos a estratégia de expansão e exportação dos agrocombustíveis através do mercado global.

Alertamos que nem o zoneamento, nem a certificação baseada em critérios ambientais e sociais irão tornar sustentável o modelo agronegócio exportador. Reafirmamos nossa luta de mais de uma década contra os transgênicos.

O atual modelos de produção e consumo, promovido pelos países do norte e reproduzido pelas elites do sul, é insustentável e coloca em risco a vida do planeta. Diante da crise estrutural do sistema capitalista, que engloba as questões energética, ambiental, alimentar, financeira e de valores, é preciso repensar o modelo de sociedade e de civilização.

Defendemos como proposta alternativa a soberania energética, que não poderá ser alcançada em detrimento da soberania alimentar.

A energia e os alimentos são direitos dos povos, nos são dados pela terra, pela água e pela diversidade da natureza e pelo trabalho, não podem ser tratados como mercadorias”.

 

 

 

SISTEMATIZAÇÃO, ANÁLISE E POSICIONAMENTO SOBRE AS DECLARAÇÕES E DOCUMENTOS DA QUESTÃO AGRO-BIOENERGÉTICA E A RELAÇÃO COM OS PROCESSOS DE (DES-RE)CAMPESINIZAÇÃO.

 

Sistematizando a questão dos agro-biocombustíveis no Brasil, em função dos documentos e declarações apresentadas neste texto, vamos levantar algumas questões gerais para logo depois analisarmos, avaliarmos e nos posicionar sobre as mesmas.

As questões e respectivas avaliações são as seguintes:

 

1)No agronegócio industrial ou em empresa pública estatal brasileira são utilizados o óleo de mamona, a batata doce e a cana de açúcar para a produção energética, expandindo a fronteira agrícola e envolvendo cadeias produtivas que incluem a agricultura camponesa sem a utilização de pesticidas e sem o predomínio do sistema de monocultura. Pode-se afirmar que esta atividade possui uma base ecologicamente sustentável? Por quê?

Esta atividade não possui uma base sustentável agroecológica porque está baseada na incorporação de novas matérias primas para a produção de energia, com a expansão da fronteira agrícola, visando a geração de commodities internacionais, através da estruturação de cadeias produtivas do agronegócio público e privado.

2) A cadeia produtiva usada no modelo de produção de agroenergia, orientado para a exportação, praticada pelo Estado brasileiro e pelo agronegócio industrial deve incluir a agricultura camponesa em geral (no caso brasileiro, os pequenos produtores,  os ribeirinhos, os indígenas, os quilombolas e os acampados e assentados da reforma agrária)? Se estes setores forem incluídos na mencionada cadeia produtiva, estamos diante de um ou dois modelos de produção no campo? Por quê?

Se os camponeses estão sendo incorporados na cadeia produtiva do modelo de produção de agroenergia voltado para a exportação, então somente existe um modelo de produção de agroenergia. Nesse caso, os camponeses teriam aberto mão de seu próprio modelo de produção agrícola.

3) Os projetos de produção de bio-diesel no Brasil pela pequena agricultura camponesa estão baseados em princípios de soberania energética e alimentar? Por quê?

Conforme apontado no primeiro documento do Escritório Regional Nordeste da CPT e da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, este modelo de agricultura não está baseado na soberania energética porque depende de grandes empresas do agronegócio, que controlam a produção de preços, processamento e distribuição. Nem este modelo de agricultura baseia-se na soberania alimentar, porque a expansão do agrocombustível ameaça a soberania alimentar e pode agravar profundamente o problema da fome.

4)Os projetos de produção de etanol no Brasil pela pequena agricultura camponesa estão baseados em princípios de soberania energética e alimentar? Por quê?

Tomando como referência as declarações de Stédile e a posição contida na declaração final do Seminário de Agrocombustíveis realizado no Rio de janeiro em julho de 2007, pode-se considerar que este modelo de agricultura possui uma base na soberania alimentar, porque nessa atividade os camponeses também estão envolvidos com a produção alimentar, tais como nas de leite e feijão para consumo local.

Mais do que isso, tomando a declaração de Stédile em que este afirma a necessidade de “existir uma empresa estatal, pública, que desenvolva uma política de comércio de energia (incluída a agroenergia), de acordo com os interesses da população e não do capital” e a experiência da Cooperbio, relatada no Seminário de Agrocombustíveis, podemos considerar que este projeto de agricultura em pequena escala está baseado na soberania alimentar, porque os sub-produtos da produção de cana-de-açúcar deverão ser utilizados para a alimentação do gado e para a adubação.

Entretanto, este modelo de agricultura não está baseado na soberania energética, porque a Cooperbio é uma cooperativa industrial e de comércio para a produção de etanol através da cadeia produtiva liderada pela Petrobrás. Esta empresa estatal brasileira encontra-se alinhada ao modelo de produção de agrocombustíveis direcionado para a geração de commodities, através da expansão da fronteira agrícola produtiva e da conseqüente orientação no sentido da exportação para o mercado internacional.

Por outro lado, este projeto dos pequenos agricultores não parece estar inserido nos esforços pela soberania energética das comunidades camponesas, já que o Projeto prevê que sejam plantados “setenta hectares de floresta para combustível”, deixando com isso de utilizar uma área de setenta hectares para a produção estritamente alimentar. Além disso, a área plantada é destinada a produzir combustívelem microdestilarias. PeloProjeto, o combustível aí produzido deve ser adquirido pela Petrobrás Distribuidora, através de uma cadeia produtiva vinculada aos interesses do capital e dos grandes grupos corporativos do agronegócio. Dessa forma, a “soberania” dos produtores camponeses fica inteiramente comprometida.

5) Por que o modelo de sustentabilidade camponesa agroecológica não admite a inserção dos agricultores camponeses em cadeias produtivas controladas pelo agroenegócio empresarial privado ou estatal?  

O envolvimento de agricultores camponeses, em cadeias produtivas controladas pelo agronegócio privado ou estatal, exclui a possibilidade do alcance de soberania energética por parte destas populações, inibindo a autonomia local em termos da destinação da produção, agregando a ameaça da destruição de suas identidades rurais particulares.

O modelo resultante desse processo não pode ser entendido como agricultura camponesa baseada em princípios de sustentabilidade agroecológica. Essa situação remete ao modelo de exportação do agronegócio capitalista/industrial que incorpora a população rural numa relação de subordinação.

A integração de populações rurais, enquanto produtoras de energia, em cadeias produtivas controladas pelo grande capital, aprofunda a mercantilização (via geração de commodities) dos produtores de pequena escala, ameaçando a soberania e autonomia desses produtores, ao mesmo tempo em que oferece respaldo ao modelo de produção agrícola dominante, em detrimento das formas de organização local para a produção de alimento e energia, de base camponesa.

6) Por que o aprofundamento da mercantilização dos produtores de agroenergia em pequena escala contribui decisivamente para o processo de descampesinização?

Como assinalamos anteriormente neste artigo, “o mundo rural e a natureza em que ele está contido, são ambientes sócio-naturais anteriores e posteriores à penetração de formas capitalistas no campo. As perversões do rural podem ser compreendidas como intervenções, a partir do capital agrário, sobre a natureza em ambientes rurais, com o objetivo de transformar a natureza em espaços apropriados para a expansão do capital e suas manifestações tecnológicas no campo (Bartra, 2008)”.

Assim sendo, a expansão do capital agrário corresponde a uma perversão do rural que culmina, muitas vezes, em situações de descampesinização, isto é: na transformação do mundo rural –natureza e campesinato- “à condição de mero fator produtivo suscetível de privatização, mercantilização e cientifização”. (Sevilla Guzman, 2003:22).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Acosta, J, 2009. La extracción de productos forestales madereros dela Mata Atlânticade Brasil el caso de los helechos de cuero: una alternativa agroecológica de ingresos para los agricultores familiares? Córdoba: Universidad de Córdoba/Internacional de Andalucía, Master.145 p.

Bartra, A, 2008. El hombre de hierro. Límites sociales y naturales del capital. México: UACM, UAM, ÍTACA. 142p.

Carvalho, H. M, 2005. O Campesinato no Século XXI. Possibilidades e condicionamentos do desenvolvimento do campesinato no Brasil. Petrópolis: Vozes. 405p.

costa Neto, C. 2004. Discutindo referenciais para a construção de saberes sócio-ambientais. Sociologia e desenvolvimento rural sustentável: a alternativa agroeco-sociológica. In: Canuto, J.C e Costabeber, J.A. (org), Agroecologia: conquistando a soberania alimentar. Pelotas: EMATER/RS, EMBRAPA, pp. 117-128.

VIA CAMPESINA BRASIL, MST, CPT and other organizations and social movements. Final Declarations Internacional Seminar. 2008. Agrofuels as an Obstacle to Food and Energy Sovereignty.

González de Molina, M. e Sevilla Guzman, E, 1993. Ecología, Campesinado e Historia. Para una reinterpretacion del Desarrollo del Capitalismo en la Agricultura. In: González de Molina, M. e Sevilla Guzman, E,  Ecología, Campesinado e Historia. Madrid:La Piqueta. pp.23-129.

Guzmán Casado, G. e outros, 2000. Introducción a la Agroecología como desarrollo rural sostenible. Madrid: Ediciones Mundi-Prensa. 535p.

Norgaard, R. B. 2002. Una sociología delmedio ambiente co-evolucionista. In: Redclift, M. e Woodgate, G. Sociología del Medio Ambiente, una perspectiva internacional. Madrid: McGraw-hill/Interamericana de España. pp.167-178.

REBRIP/FASE. 2008. Report from presentations made and debates held during the Seminar. In: Agrofuels and family and peasant agriculture: inputs for the debate.

Sevilla Guzman, E, 2005. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável. In: Aquino, A.M, e Assis, R. L. (org), Agroecologia: Princípios e Técnicas para uma agricultura orgânica sustentável. Brasília: EMBRAPA, pp.101-132

Sevilla Guzman, E, 2003. El Desarrollo Rural de la “otra modernidad”: Elementos para recampesinizar la agricultura desde la agroecología. In: ENCINA, J., Ávila, M.A e Montse Rosa, M.F. (org) Práxis participativas desde el medio rural. Construyendo ciudadanía/6. Madrid: IEPALA EDITORIAL CIMAS. pp.17-52.

Sevilla Guzman, E. e Gonzales de Molina, M, 2005. Sobre a evolução do conceito de campesinato.  São Paulo: Expressão Popular. 96p.

Sevilla Guzman, E. Gonzales de Molina, M, 1995 El concepto de transicion en el pensamiento marxista: reflexiones desde la Agroecología. Córdoba, España, Mímeo.32p.

Sevilla Guzman, E. e Ottmann G., 2000. La agroecología como estrategia de recampesinización de la agricultura latinoamericana: hacia la “otra modernidad”, In: Umbrales, Revista del Posgrado en Ciencias del Desarrollo n 8, pp.22 – 51.

Toledo, V. M, 1995a. “Campesinidad, agroindustrialidad, sostenibilidad: los fundamentos ecológicos e históricos del desarrollo rural”, en Cuadernos de trabajo del grupo interamericano para el desarrollo sostenible de la agricultura y los recursos naturales. nº 3, 29p.

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WILKINSON, J. and HERRERA, S. 2008. Inputs for the discussion on agrofuels in Brasil. Agrofuels and family and peasant agriculture-Inputs for the debate. Rio de Janeiro. REBRIP-FASE.

Van der Ploeg, J. D, 2008. Camponeses e impérios alimentares, lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização. Porto Alegre: UFRGS Editora. 372p.



[1] Declarações de João Pedro Stédile

Liderança do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da Via Campesina-Brasil

Announced at the World Forum on Food Sovereignty, February 2007,Mali. Cited in Wilkinson, J. and Herrera S. (2008: 37-38)

 

[2] Land Care Commission (CPT)-Northeast Regional Office and
The Justice and Human Rights Social Network, Via Campesina-Brasil. The Biofuel Myth. 03-05-2007. MST Website In Wilkinson, J. and Herrera S. (2008 : 41)

 

[3] Report from seminar Agrofuels and Family and Peasent Agriculture,Rio de Janeiro, July 12-13, 2007 pp.120-121

 

 

[4] Final Declaration International Seminar: Agrofuels as an Obstacle to Food and Energy Sovereignty, Representing MST/Via Campesina- Brasil, and other organizations and social movements,São Paulo, 17th-19th November, 2008.

Movimentos, redes e organizações convocantes do Seminário:

Do Brasil

Via Campesina Brasil – MMC, CPT, MPA, MAB,

FEAB, CIMI, PJR, MST

ABRA – Associação Brasileira de Reforma

Agrária

Amigos da Terra Brasil

ANA – Articulação Nacional de Agroecologia Assembléia Popular

CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviços

CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura

CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

CUT – Central Única dos Trabalhadores FASE

FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento

FERAESP – Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo

FETRAF – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar

Fórum Carajás

Instituto EQUIT Intersindical

Jubileu Sul Brasil

Marcha Mundial das Mulheres

Plataforma BNDES

RBJA – Rede Brasileira de Justiça Ambiental

REAPI – Rede Ambiental do Piauí

REBRIP – Rede Brasileira pela Integração dos Povos

Rede Alerta contra o Deserto Verde

Rede Economia e Feminismo

Rede Educação Cidadã

Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Repórter Brasil

SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes

Terra de Direitos

Internacionais

ActionAid

African Center for Biosafety, South África

Aliança Social Continental

ATALC – Amigos da Terra América Latina e

Caribe

CEO – Observatório Europeu de Corporações

CIECA, República Dominicana

Cone Sul Sustentável

FIAN Internacional

FOCO – Foro Ciudadano de Participación porla Justiciay los Derechos Humanos, Argentina

Food and Water Watch

Fundação Heinrich Boell

GlobalForestCoalition

Global Justice Ecology Project,USA

Grito dos Excluidos/As Continental

IFG – International Forum on Globalization

Misereor

Oilwatch

OWINFS – Red Nuestro Mundo no Está en Venta

Oxfam

RALLT – Red por una América Latina Libre de Transgénicos

Rede Internacional de Gênero e Comércio

RMALC – Red Mexicana de Acción Frente al Libre Comercio

The Oakland Institute, USA

WRM – Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

 

 

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Desenvolvimento, modernidade e conhecimento ambiental em teorias sociológicas

RESUMO

Pretende-se sugerir com este trabalho que a noção de desenvolvimento ecologicamente sustentável vem recebendo abordagens tipicamente sociológicas, ainda que sob diversas formas de percepção e aplicação destas perspectivas de interpretação e análise.

Neste sentido, busca-se aqui identificar em diversos autores a relação entre a questão do desenvolvimento ecologicamente sustentável e abordagens sociológicas que incluam o tema em seu repertório analítico. Partimos da noção pela qual nas ciências sociais dedicadas à questão do desenvolvimento ecologicamente sustentável, encontram-se correntes constituídas em torno de teorias sociológicas em formação, complementares entre si. Tais vertentes teóricas poderiam ser denominadas de: Sociologia do Desenvolvimento Ideológico/Utopista; Sociologia da Modernidade Alternativa; Sociologia do Conhecimento Ambiental Pós-Construtivista.

Consideramos que, atualmente, essas correntes de pensamento e ação “ecosociológicas” estão formatadas a partir de núcleos de pesquisadores situados em diversas instituições, cujos trabalhos revelam suas derivações de uma ou mais vertentes teóricas acima mencionadas.

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Para uma crítica das verdades científicas e de outros mitos da modernidade não alternativa

Inicio esta coluna com uma advertência ao leitor, no sentido de chamar a atenção para o fato de que, ele, leitor, se deparará com uma construção literária pouco usual em se tratando de artigos ou ensaios do gênero.

Eu optei por expor um debate ocorrido há alguns anos entre este colunista e diversos companheiros de empreitada agroecológica, em ambiente virtual. Portanto, sequer conheci, à época, os meus interlocutores, mas apreciei sobremaneira, suas opiniões, nada desprezíveis, pelo contrário, cheias de saberes acumulados na labuta agroecológica cotidiana. Meus interlocutores eram agentes extensionistas, militantes de movimentos sociais e agricultores diretamente envolvidos no debate em questão.

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O processo de transição social agroecológica para a recampesinização

A concepção agroecológica do mundo rural sustenta que os mundos rurais devem caminhar no sentido da recampesinização. Isto quer dizer que a modernização das relações sociais e ambientais no campo deve integrar um processo de modernização alternativa à introdução de formas mercantis e tecnológicas que descaracterizam e pervertem as bases camponesas do mundo rural.

Nesta modernidade alternativa, o campesinato exerce um papel determinante. Os camponeses são seres agroecologicamente co-evolutivos. Por esta concepção, não pode haver mundo rural sem camponeses que transformam a natureza sob limites bióticos, através da agricultura.

Podemos voltar aqui à concepção de Bartra sobre a “perversão” do rural através de políticas de mercantilização do campo. O reconhecimento, a regulamentação e o incentivo a formas de plurifuncionalidade, notadamente as não agrícolas, podem ser interpretadas, em uma visão agroecológica co-evolutiva do rural, como uma intervenção descampesinizadora e, por conseqüência, desrruralizadora. Nesse contexto, a modernização capitalista mercantil do campo não introduziria um “novo” mundo rural, mas legitimaria uma “perversão” do mundo rural co-evolutivo.

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